Diva e a TV

Sempre gostei de ver boas séries e filmes, não vejo televisão portuguesa há séculos porque sinto vergonha alheia da maior parte dos programas de TV da atualidade. Não é porque sou muito intelectual, erudita ou especialista em bons conteúdos televisivos, simplesmente é o que sinto quando assisto, por exemplo, a um programa cujos convidados famosos têm que chorar como se estivessem a viver as suas últimas 24 horas de vida. Pergunto-me francamente quem será a pessoa que tem estas ideias e que está tão deprimida ao ponto de nos fazer passar por isto, há quanto tempo estará sem receita para o lítio, quantas vezes se maquilhou só para se esborratar frente ao espelho e daí em diante até se gastar todo o plafond de equilíbrio emocional humano do Mundo.

Sobre filmes, sou um bocado esquisita, odeio típicas americanices, não sou fã de comédias românticas, posso dizer que adoro histórias reais e que tenho na minha panóplia de favoritos uns quantos filmes de realizadores coisos, aceites pela sociedade cinéfila, tipo Lars Von Trier, Wes Anderson ou David Lynch. Também sei quem é o Ingmar Bergam, o que já não é nada mau, e até já assisti a ciclos de cinema no Nimas. Pode dizer-se que posso falar abertamente das minhas escolhas sem medo que me julguem até à morte.

Deve-se esta introdução para, como o nome indica, introduzir aquilo que tenho visto em tempos de guerra, não sei se por estar mais sensível ou se por ter baixado em mim uma digna dona de casa de West Virginia. Partilho convosco, e sem pudor, o que têm sido as minhas preferências:

Love is Blind – Netflix

Case study para psicólogos que tiraram o curso online, desesperados que querem à força acreditar nestas merdas do amor sem atração física, e para mim que não tenho nada para fazer. Uma cambada de mulheres e de homens são colocados num programa e vão tendo vários dates sem se verem, com uma parede a separá-los. Objetivo? Escolherem casar com quem nunca viram. Ambicioso? Nada. A sorte é que  foram escolhidos a dedo e são todos mais ou menos comestíveis. Giro era serem obesos alimentados por sondas, tetraplégicos, estrábicos em último grau, pernetas, aí é que se via que o amor era cego. Meninos.

RuPaul´s Drag Race – Netflix

Coragem, talento, atitude e estilo num programa onde elas dão tudo para uma batalha de drags. Dou por mim a cerrar punhos e a gritar “Não, com essa peruca não, vais perder!” Desta não me envergonho. Amo este clássico que é o Ru <3 E agora, confinada, até do Finalmente tenho saudades por isso vou matando as que posso.

How to Fix a Drug Scandal, I am a Killer, Tiger King and so on… – Netflix

Tudo o que tenha mortes mal explicadas, drogados sem dignidade, desdentados como protagonistas principais, prostituição de vão de escada, é comigo. Importante é ter aquela locução pausada de notas musicais graves acompanhada por uma cama instrumental que entoe suspense, ansiedade e profunda  incerteza.

Passadeira Vermelha

De vez em quando, já a bater no fundo da cadeia televisiva, sedenta de distração fútil e superficial, dou por mim a ver este belo programa com prestigiados comentadores portugueses. Apesar de não saber quem são algumas das figuras comentadas ouço tudo com atenção e, às vezes, até vou ao Instagram procurá-las para saber mais sobre elas, com quem namoram, se têm filhos, se fizeram exercício em casa ou se têm quintal, que smoothies bebem… Depois lembro-me que estamos perante um holocausto viral e que é possível não me reconhecer em atitudes como esta. Abraço-me, choro imersa na decadência do meu ser e sigo em frente de comando na mão.

O Programa da Cristina

Não me vou alongar, já aconteceu, não foram muitas vezes, juro. A única coisa que vi durante mais tempo foi a entrevista à Joana Barrios. Confesso que é um ser que me intriga e sobre o qual tenho alguma curiosidade, sigo-a e acho-lhe graça, pronto.

Antes isto do que estar o dia todo a ver a Sic Notícias e a mandar desinfetante pela cabeça abaixo.

Love,

D.

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